quinta-feira, 24 de junho de 2010

O bigode e a honra


É provável que não se saiba, mas Raymond Domenech, que nesta Copa esteve inabalável no comando da mui abalada França, nem sempre ostentou a cara pelada que lhe confere certo esnobismo. No início da década de 80, aportava em Paris, depois de quatro temporadas defendendo o azul e branco do Racing Club de Strasbourg, um francesinho de Lyon, então defensivo jogador da lateral. Na capital passou a temporada de 81-82, durante a qual os torcedores do Paris Saint-Germain tiveram uma única oportunidade de o ver estufando as redes. Pouco, é verdade, mas nada que fugisse aos padrões da posição ou diminuísse a respeitabilidade da compacta camada de pelos que sustentava sobre os lábios e que desafiava séculos de tradição francesa de bigodes afilados.

Devo ao mano Nandes a descoberta desse impagável exemplar de Untersexualism oitentista.

2 comentários:

Rafael Noris disse...

Além do bigode, outra coisa que chama a atenção é a forma geométrica da cabeça. Por causa do cabelo, lembra um losango. De acordo com estudos muito sérios na área de heráldica, o losango é um símbolo ligado ao feminino: o que claramente explica o comportamento histérico no final da partida.

Daniel Serrano disse...

Rafael, meu caro, muito me honra que compartilhe conosco seus conhecimentos teóricos que tanto enriquecem a fruição do futebol. Mais uma vez, a análise foi incontestável de tão precisa.