
Jesper Rasmussen – Langt kammer Penetration über Alles
2004, lambdaprint 100 x 200 cm
Percepção inicial da imagem: sem-graça. Então, em meio à monotonia cromática, nota-se o simular de uma profundidade. O instante de observação seguinte é determinante, uma vez que poderá tanto dar cabo à apreciação do quadro, dada a simplista conclusão que estaríamos a lidar apenas com alguns caixotes ― protuberâncias e vales aleatórios ―, quanto fazer evoluir aos saltos a compreensão da imagem, de acordo com um esquema semelhante ao que segue:
1) Observação da protuberância à esquerda;1.1) Deslizamento de olhar até o lado o oposto;1.2) Observação do vale à direita;1.3) Estabelecimento da relação protuberância-esquerda/vale-direita;
2) Observação da protuberância acima;2.1) Deslizamento de olhar até o lado oposto;2.2) Observação do vale abaixo;2.3) Estabelecimento da relação protuberância-cima/vale-baixo;
3) Procura pela terceira protuberância;3.1) falha;3.2) falha;3.3) falha;
4) Observação do vale ao fundo;4.1) Deslizamento de olhar até o lado oposto;
5) Susto proveniente do reconhecer-se no voyeurismo de uma protuberância.
2 comentários:
Prezado Daniel, bela análise! Também indico a leitura de "No Interior do Cubo Branco" do Brian O'Doherty.
Grande abraço e até muito breve,
M.Mantovani
gostei de ser apontado como uma protuberância pela obra! e se o vale ao fundo não fosse nem vale nem protuberância, o que seríamos?
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