domingo, 28 de novembro de 2010

Permanência nas tascas




Vem com três moedas na mão o português que surge da rua dos Esteireiros. Quando entrar no boteco, será apenas por educação ― ele sabe muito bem que carrega os trinta e cinco centavos ― que fingirá contar as moedinhas e as estenderá ao Sr., pedindo com discrição uma tacinha de tinto. Nisso terá perdido quinze segundos, aos quais se somarão os oito da espera. Oito! Oito segundos até que, agarrando a taça, entorne-a, devolvendo-a ao balcão para em seguida ― não sem antes: obrigado ― rumar de volta à mesma rua dos Esteireiros e percebê-la algo mais melancólica após aqueles trinta segundos que passou na tasca depois de um dia de, ufa, que dia duro.

2 comentários:

Pedro B. M. Serrano disse...

Fazia tempo que não vinha aqui. Gostei bastante!

livia disse...

engraçado, tinha a impressão que já tinha lido isso. Não? adorei.