Esmagados pela fama d'Os Lusíadas ficaram estes versos tardios de Camões que, de maneira profética, apontava para o desprestígio com que viriam a sofrer os bigodes contemporâneos. O PQP, em mais este serviço à comunidade lusófona, dá-los de novo a ver, reforçando com isso a cruzada pró-bigode em que se tem há meses empenhado.

As barbas, bigodões avantajados,Que da fidalgal face lusitana*,Por séculos afora cultivados,Mais reluzentes que os feitos de Gama,Foram gradativamente afastadosPelo que o rosto asseado reclamaE que desde quando os escanhoaramDo semblante distinto se ausentaram;E também os mais que outros corajosos,Que ao contrário dos que os iam cortando(Por pensarem, tolos, que mais airososTraços iam assim dilapidando)Sempre ousaram mantê-los portentosos,Desviando-os do destino nefando,Cantando lhes serei o porta-voz,Se a tal não me impedir a espuma atroz.
*A alternância da nasal é provavelmente lapso do poeta
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