terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Entusiastas remotos do bigode


Esmagados pela fama d'Os Lusíadas ficaram estes versos tardios de Camões que, de maneira profética, apontava para o desprestígio com que viriam a sofrer os bigodes contemporâneos. O PQP, em mais este serviço à comunidade lusófona, dá-los de novo a ver, reforçando com isso a cruzada pró-bigode em que se tem há meses empenhado.


As barbas, bigodões avantajados,
Que da fidalgal face lusitana*,
Por séculos afora cultivados,
Mais reluzentes que os feitos de Gama,
Foram gradativamente afastados
Pelo que o rosto asseado reclama
E que desde quando os escanhoaram
Do semblante distinto se ausentaram;

E também os mais que outros corajosos,
Que ao contrário dos que os iam cortando
(Por pensarem, tolos, que mais airosos
Traços iam assim dilapidando)
Sempre ousaram mantê-los portentosos,
Desviando-os do destino nefando,
Cantando lhes serei o porta-voz,
Se a tal não me impedir a espuma atroz.


*A alternância da nasal é provavelmente lapso do poeta

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